Eu, Ronaldo Exploradovisky, fui chamado para investigar um caso no Brasil. Cheguei às 12h do dia 28/09/1997 e segui direto para o local do acidente.
Ao me aproximar, encontrei um avião quase destruído. A informação inicial era de que todos haviam morrido na queda. Entrei na aeronave, caminhei até a cabine e me deparei com uma cena horrível: os dois pilotos estavam mortos, com a garganta cortada, e um deles ainda tinha uma faca cravada no coração. Aquilo não foi um simples acidente. Era claramente um assassinato.
Peguei minha lupa do casaco e comecei a examinar a cabine com atenção. Percebi três coisas. Primeiro, não havia nenhuma digital, o que indicava que o assassino usava luvas. Segundo, os cortes no pescoço dos dois homens começavam do lado esquerdo, o que poderia significar que o criminoso era canhoto. Por último, havia comida derramada e uma bandeja caída no chão.
Depois, fui verificar os paraquedas. Normalmente, esse tipo de avião carrega cinco, mas dois estavam faltando. Isso significava que dois funcionários poderiam ter sobrevivido.
Já eram cinco da tarde quando voltei para casa. Eu precisava descansar e organizar as ideias.
No dia seguinte, a polícia já tinha o nome dos dois sobreviventes, que foram chamados para interrogatório.
Fernanda foi a primeira a se apresentar para depor. Ela era aeromoça e tinha 29 anos.
— Boa tarde, Senhorita Fernanda. Primeiramente, o que você fazia no avião? Trabalhou para a empresa por muito tempo? — perguntei.
— Trabalhei como aeromoça por vários anos — respondeu, pensativa.
— Você viu algo diferente?
Ela começou a ficar inquieta, mexendo as pernas agitadamente.
— Eu estava indo ao banheiro quando o avião começou a cair. Corri para pegar um paraquedas. No caminho, vi o Tharso saindo da cabine dos pilotos, todo ensanguentado. Perguntei o que tinha acontecido, mas ele não respondeu. Pegou um paraquedas e pulou. Depois eu fiz o mesmo. Só mais tarde descobri que os pilotos estavam mortos.
— Obrigado. Finalizo aqui minhas perguntas.
Ela levantou-se tranquila demais, até sorrindo. Havia tido uma mudança repentina de comportamento. Ainda, durante a conversa, percebi que ela usava muito a mão esquerda e passava a mão no rosto com frequência, confirmando que era canhota. Tudo isso me deixou desconfiado.
Em seguida, foi a vez de Tharso, que entregava comida aos pilotos e tinha 33 anos.
— Boa tarde, seu Tharso, quero começar perguntando: O que viu no avião? — enquanto o observava atentamente na delegacia.
— Eu entrei, senhor… — respondeu Tharso, de forma nervosa. — Fui até a cabine para entregar a comida aos pilotos e vi uma cena horrível. Os pilotos estavam mortos de uma forma brutal. Não consigo nem descrever, senhor. Isso me atormenta dia e noite.
— Parece que você quer me dizer alguma coisa. Você precisa me contar para que eu posso te ajudar, Tharso.
— Tentei sair, mas a porta estava trancada. Depois encontrei a chave caída perto deles. Peguei um paraquedas e pulei. Antes de saltar, vi a Fernanda suja de sangue, e também saltando do avião.
— Obrigado, seu Tharso.
Tharso saiu. A sala ficou em silêncio, mas a minha mente não. Os dois se acusavam, porém algo não se encaixava. Continuei investigando e descobri algo assustador, a polícia já procurava um serial killer que gravava os próprios crimes.
No outro dia, enviaram-me uma gravação de vídeo pelo correio. Coloquei para assistir na minha TV. O assassino começava filmando a própria mão segurando a arma, aparentemente, a mesma que foi usada para matar os pilotos. No meio do vídeo, apareceu uma cena que confirmava que aquele era o caso que eu estava investigando. No final da gravação, ouvi uma voz feminina sussurrando ‘’Consegui…tenho que ir… bye bye, meu bem’’. Tive certeza de que aquela era a voz de Fernanda, eque segurava a artma com a mão esquerda.
Encaminhei as informações à polícia, que realizou exames psicológicos em Fernanda e descobriram que ela sofria de dupla personalidade. Uma parte era gentil e ajudava animais e pessoas. A outra era violenta e cometia assassinatos.
Fernanda foi presa e se entregou, contando onde guardava os vídeos e quantas pessoas já tinha matado. Depois, foi encaminhada para um hospital psiquiátrico.
Dei o caso por encerrado e, no mesmo dia, parti para outra investigação fora do Brasil.
ALUNOS-AUTORES:
Lucilo Queiros Neto
Luis Eduardo Lopes de Alcantara
Tharso Mikaell Silva Borges
EDITORA:
Ketelem Santos Ferreira
Londres, 5 de novembro de 1888.
O relógio da torre marcava 04h36 da manhã quando o silêncio da cidade foi rasgado por gritos e passos apressados. Em um beco estreito e mal iluminado, a polícia encontrou uma cena que nenhum homem ali esqueceria: onze corpos, colocados de maneira quase ritualística, todos decapitados. O chão estava coberto de sangue já frio, e as paredes de pedra pareciam absorver aquele horror silencioso. Alguns policiais desviaram o olhar, outros vomitaram. Até os mais experientes tremiam.
O capitão da polícia, Arthur Blackwood, um homem alto, de bigode rígido e temperamento notoriamente agressivo, foi direto e seco:
– Chamem White Morais. Agora.
White Morais era conhecido como o melhor detetive da época. Tinha cerca de quarenta anos, olhar atento, rosto marcado pelo cansaço de quem já vira demais. Usava sempre um sobretudo escuro e carregava consigo uma calma inquietante, típica de quem observa mais do que fala. Ao chegar à cena do crime, White sentiu o estômago revirar. Já investigara assassinatos, chacinas, crimes brutais. Mas nunca algo daquela magnitude, daquela crueldade calculada.
– Isso não é obra de um homem comum. Murmurou ele, ajoelhando-se próximo a um dos corpos. – Temos um serial killer à solta.
Ele analisou cada detalhe: os cortes precisos, a ausência das cabeças, a organização da cena. Não era um ato impulsivo. Era uma mensagem.
Após horas de análise, White percebeu algo inquietante: as vítimas tinham algo em comum. Ao consultar os registros, confirmou sua suspeita: todos faziam parte de uma gangue de ladrões conhecida nos subúrbios de Londres. Decidiu informar o capitão:
– Capitão Blackwood, descobri que as vítimas pertenciam à mesma gangue criminosa. O capitão sequer demonstrou surpresa.
– Eu já sabia. Respondeu, com desdém.
White franziu o cenho: – Como sabia?
– Olhei as fichas das vítimas, detetive. Não sou idiota. Rebateu o capitão, de forma grosseira.
– Curioso. Disse White, com a voz firme. – Porque eu olhei as fichas primeiro.
O rosto do capitão amarelou. Por um instante, seus olhos denunciaram pânico. Sem dizer mais nada, ele virou-se rapidamente e correu em direção ao estacionamento.
– Parem ele! Gritou White.
Os policiais reagiram tarde demais. O capitão entrou no carro e arrancou em alta velocidade. White correu, entrou em outro veículo e iniciou a perseguição. Enquanto avançavam pelas ruas ainda vazias, White pensava. “Se o capitão fosse o assassino, por que me chamaria? Não faz sentido…” Então uma hipótese gelou sua espinha: “E se ele não for o serial killer, mas um informante?”
A perseguição levou-os até uma estrada interditada, abandonada após um antigo deslizamento de terra. O capitão não diminuiu a velocidade.
De repente, um caminhão surgiu do meio da mata, acelerando violentamente. Em segundos, colidiu com o carro do capitão, esmagando-o contra a encosta da montanha. O impacto provocou um novo deslizamento, forçando White e os policiais a recuar para não serem soterrados.
O capitão estava morto.
De volta à delegacia, a mente de White fervilhava.
– Mas… aquela estrada estava desativada. Murmurou ele. Foi então que se lembrou de algo que havia visto rapidamente nas câmeras de segurança: um homem de casaco preto e boné, parado próximo à estrada horas antes. White pediu as gravações e acelerou as imagens.
Uma hora antes do massacre, o homem de casaco preto fez uma ligação telefônica exatamente no momento em que White descobria a ligação entre as vítimas e o capitão.
O palpite deixou de ser suspeita. Tornou-se um fato. Alguém observava cada passo. E o verdadeiro assassino ainda estava livre.
White Morais encarava o quadro de anotações na parede, onde nomes, horários e rabiscos formavam um quebra-cabeça incompleto. Ele sabia: não conseguiria resolver aquele caso sozinho. Decidiu, então, formar uma força-tarefa. Chamou dois antigos aliados, homens em quem confiava tanto quanto em seu próprio instinto.
O primeiro era Berlim, um investigador francês vindo diretamente de Paris. Elegante, metódico, sempre com um cigarro entre os dedos e um olhar calculista. Berlim acreditava que todo crime era, antes de tudo, um jogo psicológico.
O segundo era Ryo, que já estava em Londres. Diferente de Berlim, Ryo era impulsivo, observador e conhecido por farejar mentiras com facilidade.
Ryo chegou à delegacia ainda pela manhã. Assim que viu White, abriu um meio sorriso cansado: – Quanto tempo… Disse, estendendo a mão. – Faz anos que não resolvemos um caso juntos.
White apertou a mão do amigo.
– Pois é. E eu preferia que o reencontro fosse em outra situação. Esse caso não é como os outros… Fez uma pausa. – Estamos lidando com um serial killer.
Ryo assustou.
– Quantas vítimas?
White respirou fundo antes de responder.
– Onze. Todas decapitadas. Todos membros da mesma gangue criminosa. E o capitão da polícia morreu durante uma perseguição.
Ryo passou a mão pelo rosto, visivelmente abalado.
– Então é verdade… Murmurou. – O capitão estava envolvido com o serial killer.
Antes que White pudesse responder, a porta da delegacia se abriu com força. Um policial entrou às pressas, pálido, segurando um relatório.
– Detetive Morais… encontramos algo.
Minutos depois, White, Ryo e Berlim, estavam diante de uma casa isolada nos arredores de Londres. O cheiro de fumaça ainda era forte, mesmo horas após o incêndio. Dentro da residência, o cenário era devastador. Móveis carbonizados, paredes negras, o teto parcialmente destruído. No centro de um dos cômodos, jazia um corpo completamente queimado.
– É ela. Disse um policial, engolindo seco. – A esposa do capitão Blackwood.
White sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Aquilo não parecia um acidente. Era uma execução.
– Isso não foi só para matá-la. Disse Berlim, observando os restos do local com atenção fria. – Foi um aviso.
Ryo se agachou próximo ao corpo, analisando o chão.
– Ou para silenciá-la. Completou.
White fechou os olhos por um instante. Tudo começava a se encaixar de forma perturbadora: o massacre, a fuga do capitão, o caminhão surgindo do nada… e agora, a esposa queimada.
“O capitão não era o cérebro.” Concluiu White, finalmente. “Ele era apenas mais uma peça. E quando deixou de ser útil… foi descartado.”
A chuva caía fina sobre Londres quando White, Berlim e Ryo retornaram à delegacia. A esposa do capitão não fora apenas morta, fora apagada. White passou a madrugada inteira revisando documentos, gravações e relatórios antigos. Algo o incomodava profundamente.
– O capitão não tinha perfil para executar. Disse ele, quebrando o silêncio. – Ele escondia, desviava informações, mas não matava com as próprias mãos.
Berlim assentiu, soprando a fumaça do cigarro.
– Um homem assim serve melhor como ponte. Nunca como lâmina.
Ryo, parado diante das imagens das câmeras, congelou um frame específico.
– White… vem ver isso.
Na tela, o homem de casaco preto e boné aparecia novamente. Mas agora havia um detalhe novo: ao ligar o telefone, sua mão escapava do bolso por um segundo, revelando um anel metálico com o símbolo de uma serpente.
White empalideceu.
– Não é possível…
Ele correu até os arquivos antigos da polícia. Depois, até documentos esquecidos do subsolo da delegacia, casos arquivados à força, denúncias engavetadas, mortes “acidentais”.
Todos tinham algo em comum.
– Edgar Holloway. Disse White em voz baixa.
Berlim arqueou a sobrancelha.
– O ex-legista da polícia?
– Sim. Demitido há quinze anos… oficialmente por “instabilidade emocional”.
– Extraoficialmente. Completou Ryo. – porque estava prestes a denunciar uma rede de corrupção envolvendo policiais, gangues e políticos.
White fechou os punhos.
– A gangue decapitada fazia parte dessa rede. O capitão Blackwood era o contato interno. E a esposa… sabia demais.
Naquela mesma noite, os três seguiram até um antigo prédio abandonado, um hospital desativado nos arredores de Londres. Holloway fora visto entrando ali dias antes. O lugar cheirava a mofo, ferrugem e morte antiga. Nos corredores escuros, encontraram símbolos riscados nas paredes: serpentes, sempre serpentes.
– Ele não mata por prazer. Murmurou Berlim. – Ele mata por justiça… doentia, mas justiça.
No último andar, uma sala iluminada por velas. No centro, uma mesa coberta por recortes de jornais, fichas criminais e fotos das vítimas.
E ali estava ele. Edgar Holloway retirou o boné lentamente. Tinha o rosto magro, olhos fundos e uma calma perturbadora.
– Demoraram. Disse, com um leve sorriso. – Mas eu sabia que você viria, White.
– Você matou onze pessoas. Respondeu White, arma em punho.
– Não. Holloway inclinou a cabeça. – Eu executei onze culpados. Assim como executei o capitão quando ele tentou fugir. E a esposa, quando tentou negociar silêncio.
Ryo avançou um passo.
– Você virou um monstro.
Holloway riu baixo.
– Não. Eu sou o que sobra quando a justiça falha.
A polícia cercou o prédio minutos depois. Não houve fuga. Não houve resistência. Quando algemado, Holloway se aproximou de White e sussurrou:
– Eu só fiz o que vocês nunca tiveram coragem de fazer.
Holloway foi preso.
O caso foi oficialmente encerrado.
Mas, semanas depois, White observava Londres pela janela de seu escritório, inquieto.
A gangue estava morta.
O capitão estava morto.
O serial killer estava preso.
E ainda assim… algo não parecia resolvido.
Sobre sua mesa, um envelope sem remetente.
Dentro, apenas um bilhete:
– A serpente troca de pele. Mas nunca deixa de existir. White fechou os olhos.
O caso havia terminado.
Mas o mal… não.
ALUNO-AUTOR:
José Fernando de Costa de Oliveira
EDITOR:
Jessíca da Paixão Alves
Verônica recebeu, nas primeiras horas da noite, um telefonema de um senhor alegando ter encontrado partes de um corpo no seu ferro-velho. Verônica saiu apressada, tinha que estar lá antes que a polícia. Quando chegou, encontrou o dono. Após acalmá-lo ainda no lado de fora, pediu para que contasse seu relato:
— Eu estava procurando por sucatas para uma construção quando eu ouvi um grito vindo do outro lado do ferro-velho. Quando cheguei, encontrei sacolas com partes de um corpo. Fiquei com medo, saí correndo e liguei para a senhora.
Verônica finalmente entrou no ferro-velho e logo visualizou as sacolas, eram de plástico, daquelas de supermercado, e estavam sujas de sangue. Andou pelo lugar, examinando tudo apenas com o olhar e com cuidado para não pisar em nenhuma gota de sangue. A polícia chegou minutos depois de notificada por ela.
— Onde tem morte tem Verônica — disse um dos policiais.
— Vá a merda, Luiz.
A detetive passou na frente do policial enquanto o vento batia em seus cabelos chocolate, levando o cheiro de sangue.
— Como você ficou sabendo do caso? — Luiz perguntou sério enquanto olhava a cena.
— Me ligaram.
— Claro, sempre te ligam.
— Vocês tem que resolver logo, uma pessoa morreu e tem um assassino solto.
Verônica se afastou para raciocinar como sempre fazia, andando em círculos. Andou tanto que encontrou uma carteira rosa com glitter em todo seu exterior entre as ferragens, o brilho se destacava entre os ferros enferrujados. Ela viu e botou suas luvas de silicone, que estavam no bolso. Dentro da carteira, havia algumas moedas, um cartão de crédito e um cartão de visitação de uma ótica, nos dois cartões havia o mesmo sobrenome. Fotografou tudo. No momento em que estava indo entregar a nova evidência à polícia, pôde ver o corpo inteiro do cadáver. Era uma mulher: os braços e pernas estavam divididos em dois, separando-se do tronco, a cabeça estava bem machucada, diferente do resto.
— O que você tanto olha? — Luiz segurava uma prancheta desta vez, anotava alguma coisa sobre o local, mas Verônica tinha certeza que ele deixaria passar algo.
— A cabeça foi muito agredida, provavelmente por algo não muito pesado, nem muito largo ou grande. Ela caminhou para mais perto do corpo e se agachou ao seu lado, agora tinha uma visão melhor. — Se você reparar o tamanho dos ferimentos, vai ver que são pequenos. Virou a cabeça mais para esquerda e mexeu nos fios como se procurasse por algo. Um policial até tentou a impedir, mas Luiz não deixou — E, como eu esperava, há um maior, provavelmente o primeiro. Talvez tenham batido uma primeira vez e ela caiu desacordada, aí continuaram batendo. Levantou. — Tá vendo aquela poça de sangue ali? Apontou para a direita. — Vocês já devem ter visto, mas eu acho que foi ali que ela caiu. Mais pro lado tem muito mais sangue, provavelmente ali que a esquartejaram. Talvez a arma do crime tenha sido algo que se encontra por aqui, tipo um pé de cabra ou um martelo.
Lá estava Verônica mais uma vez mostrando o porquê de ser chamada de Verônica da Forca, sempre entendia as coisas tão bem que era assustador. Levantou-se e tirou as luvas, não esperava pegar em mais nada. Iria embora e deixaria nas mãos da polícia por hoje, mesmo assim seus olhos rondavam o lugar até a saída.
Verônica não fez mais nada naquele dia, pois já era tarde. Entretanto, assim que amanheceu foi atrás das informações da dona do cartão de visitas. De um lado, uma logo que devia ter sido feita por alguém sem preparo, um slogan comum, um endereço e um telefone com o nome de um homem para contato; no outro lado, um nome anotado em lápis com uma caligrafia perfeita: Lieni, o mesmo nome da titular do cartão de crédito. A detetive pegou as chaves do seu carro e logo estava indo em direção a bendita ótica. Estranhou ao perceber que estava no mesmo bairro do ferro-velho, mas confiava no GPS para andar por aquela cidade.
A loja ficava numa rua de comércios e, provavelmente, não se distanciava nem um pouco de qualquer ótica, tirando o fato de estar fechada às dez horas da manhã de uma quarta-feira. Verônica suspirou, odiava ter que ligar para qualquer lugar, ainda mais para uma evidência, mesmo tendo um celular só para isso. No carro, ouviu a ligação chamar uma, duas vezes, até ser atendida.
— Bom dia, aqui é da Ótica Soares. Infelizmente, hoje não estamos trabalhando e esperam… — A voz do outro lado da linha era de um homem que parecia um pouco cansado e aflito.
— Desculpe lhe interromper, senhor, mas eu gostaria de saber se o senhor conhece alguma Lieni da Silva Soares. A imagem do cartão de crédito se passava na mente de Verônica.
— Ham?! — imediatamente a voz ganhou um ânimo. — Conheço sim, claro. É a minha esposa. Ela não voltou pra casa ontem, por acaso você sabe onde ela está?
— Na verdade, eu encontrei uma carteira rosa de glitter em um ferro-velho velho que fica no mesmo bairro da sua loja. Estou te ligando pois esse era o número que estava no cartão de visitas que estava na carteira. Fez uma breve pausa. — Só que houve um assassino nesse local e eu acho bom você ir à polícia.
Mais uma vez, silêncio. Verônica, por um momento, pensou que a ligação havia caído.
— Em que delegacia eu devo ir? — a voz era sofrida, como se faltasse ar ao falar.
A detetive deu as instruções, o endereço e partiu com o carro para lá. Aquele caso ainda era seu, mesmo com a polícia trabalhando nele. Chegou no local antes do homem, o que era ótimo, pois poderia se atualizar sobre o caso com Luiz, o único policial dali que ia com a sua cara. Entretanto, não demorou muito para ouvir desespero vindo da recepção. Havia um jornal sobre o balcão e um homem chorando no chão dizia repetidamente: – Não pode ser a minha mulher, não pode! Pela voz deveria ser o mesmo homem de antes. Sem que ninguém percebesse, pegou o jornal e, logo na primeira página, estava a notícia “Esquartejamento no ferro-velho”, seguida da grande e maior pergunta daquele caso “quem seria a pessoa capaz de tal crime?”.
— O teste de DNA só sai hoje à tarde, mas com ele aqui vai dar pra reconhecer o corpo e as coisas vão correr mais rápido… Luiz falou depois que Flávio, o dono da ótica, que foi levado a uma sala à parte para se acalmar.
— Eu acho que vocês terão que levá-lo pro IML, ele não tem a menor condição de dirigir.
— E você vai junto! Verônica juntou as sobrancelhas com raiva enquanto olhava para o policial. — Foi você que trouxe ele pra cá.
Bufou.
— No meu carro ele não pisa. Colocou o jornal novamente no balcão. — E o celular? Vocês acham que é dela mesmo?
Luiz concordou.
— É a hipótese. A foto de bloqueio de tela parecia muito com ela, mesmo naquele estado. Fez uma pequena pausa. — Acredito que amanhã de manhã teremos as informações do celular. Te mantenho informada, não precisa ir no…
— Eu vou ao IML com vocês.
Não explicou o porquê de ter mudado de opinião, apenas se sentou em uma das várias cadeiras de espera e fez um sinal para que Luiz fosse embora. Ele não entendia muito bem o que se passava na cabeça de Verônica, mas mesmo assim obedeceu.
A detetive tentava juntar as peças, mas sabia que ainda havia algo faltando. O marido — bem, considerando que o tal Flávio fosse realmente o marido — parecia muito surpreso e com medo, mas não com medo de que algo seu pudesse ser revelado, mas sim com medo de quem vela por alguém e não quer que nenhum mal o alcance. Claro, isso não era prova alguma e não passava de mera impressão, contudo gostava de seguir seus instintos.
Seguiu com os policias para o IML, porém, no seu próprio carro. Viu Flávio tremendo ao ir ao encontro do corpo de sua mulher, então não se surpreendeu com a notícias do desmaio ao reconhecê-la. Os homens correram para ajudar a tirá-lo do chão frio, outros abanavam flyer e folders contra o rosto do homem, que não esboçava nenhuma reação. Já se cogitava ligar para o SAMU quando o homem foi lentamente voltando a si. Resmungou sem sentido até que se formou algo que poderia ser compreendido: – Celular… chamem minha filha…. Todos, menos Verônica, se apressaram a atender o pedido e, poucos instantes depois, já se podia ouvir o chamado da ligação.
— Alô? Pai? Eu tô na aula ainda. A voz do outro lado da linha era jovem e sussurrada.
— Nathaly, não, não é o seu pai. Eu sou um policial e estou aqui com ele, vou colocar no viva-voz pra você falar com ele.
— Pai?! A voz era visivelmente mais alta. Puderam ouvir a garota se desculpando com o professor e saindo da sala. — Pai, o que aconteceu?
— Filha, eu tô bem, mas a Lieni… ela morreu, filha. Fizeram uma atrocidade com ela! Então as lágrimas começaram a descer. lágrimas e mais lágrimas, um monte delas num choro pesado e alto. — Vem pro IML, pega um carro de aplicativo e paga com o cartão. Eu vou te esperar aqui.
A ligação terminou, mas o choro não. Foram minutos ali e Verônica só queria enterrar sua cabeça em algum lugar para não ouvir toda aquela barulheira. O homem só veio se acalmar com a chegada da filha. Nathaly, por sua vez, parecia um gato assustado: não conseguia olhar para o pai, muito menos para os policiais. A investigadora a olhava de longe, mas foi só ela ficar um pouco mais distante dos outros que se aproximou para uma conversa.
— Pelo que eu entendi, ela era sua madrasta, certo?
A garota deu um pulo ao ouvir a voz estranha. Olhou com uma careta para a mulher, mas logo respondeu:
— É, era sim… A resposta não parecia querer ser dada.
— Eu imagino que deve ser difícil perder alguém assim. Seu pai falou que já estavam juntos há bastante tempo.
Nathaly apertou os punhos e respirou profundamente antes de falar:
— Sabe, quando uma pessoa só é boa com certa pessoa e um monstro com outra, não são todos que vão sentir sua ida… Seus dedos começaram a arranhar lentamente a pele exposta do braço oposto. Seu olhar ficou distante.
— Ela já fez algo contra você? Verônica perguntou baixinho.
— Sim… A resposta veio lenta, quase como se saísse sem perceber e, talvez, realmente fosse esse o caso, pois a garota deu um pequeno salto ao perceber o que disse.
No momento seguinte, seu pai passou segurando alguns papéis e dizendo que estavam indo embora. A investigadora até tentou continuar a sua conversa, mas foi ignorada. Contudo, ela sabia que essa era a peça que faltava. Foi até Luiz, que parecia um pouco cansado, e disse:
— Se você quer uma pista, fica de olho nessa menor.
— Por quê?
— Intuição.
Verônica, então, deu dois tapinhas no ombro do policial e saiu, precisava comer alguma coisa. Haviam também outros trabalhos a investigar, então assim passou o dia, chegando a tarde e, posteriormente, a noite. No dia seguinte, não era muito perto do almoço quando recebeu uma ligação que já esperava: Luiz informava de uma possível ligação de Nathaly com a morte da madrasta e a garota teria que realizar depoimento. O que lhe surpreendeu foi o pedido de que a investigadora particular estivesse na sala. Como se tratava de um depoimento diferente do comum, por se tratar de uma menor, não viram porque em negar o pedido, caso Verônica aceitasse e, bem, Verônica estava curiosa sobre o tal monstro.
Na sala havia mais pessoas que o normal. Uma psicóloga, uma policial treinada para trabalho com menores, o escrivão, Verônica e, claro, a menor prestes a depor. Seu pai estava na entrada da delegacia andando em círculos, não conseguia imaginar como aquilo poderia ser real.
— Você sabe por que está aqui, Senhorita Nathaly Soares? A garota assentiu com a cabeça. — Você foi a última pessoa que trocou mensagens com a Senhora Lieni. Você ligou para ela, depois mandou o endereço do ferro-velho e encontrou ela lá. Isso procede? A policial parecia calma e olhava confortavelmente para Nathaly.
— Nem tudo na verdade… A garota começou a mexer as mãos sobre a mesa. — Nós fomos juntas ao ferro-velho.
— O que aconteceu com vocês duas lá?
A menor parecia muito agitada de repente. A psicóloga falou que se ela quisesse parar estava tudo bem, que o mais importante para ela naquele momento era garantir seu bem estar, mas a garota negou.
— Se eu não falar agora, vocês vão descobrir de qualquer maneira. Sem contar que eu já decepcionei meu pai com isso. A menina fechou os olhos e respirou bem fundo, parecia tão vulnerável agora. — Nós chegamos lá e o portão tava aberto, o senhorzinho só fecha bem tarde. Eu falei pra gente deixar a fritadeira elétrica lá, o papai nunca usava e ela odiava ver aquele negócio velho na casa. Quando a gente chegou, eu bati na cabeça dela com um pé-de-cabra que eu já havia deixado perto do portão quando fui lá mais cedo. A partir daí eu não lembro muito bem. As lágrimas acumuladas em seus olhos saltavam para fora. — Era tanto ódio, tanta raiva que eu só lembro direito quando parei. Tinha um cutelo na minha mão e ela tava… bem… não mais junta.
A policial estava séria, mas sabia que não podia falar muita coisa, já a psicóloga tentava falar palavras de conforto. Verônica sabia que devia ficar calada, mas não se controlou:
— E o monstro?
Nathaly levantou o rosto molhado e engoliu o choro. Levantou da cadeira e tirou a blusa, mostrando a pele marcada: algumas áreas em vermelho, outras em tons roxo e verde, havia também feridas finas que lembravam o corte de gilete.
— Ela me espancava, às vezes me cortava. A blusa estava sendo segurada com força frente ao peito com as duas mãos. — Ela, a Lieni, faz isso desde que eu me conheço por gente. Meu pai nunca acreditou, ele era cego por ela.
— Sente-se, por favor. A psicóloga pediu e assim Nathaly fez.
— Mês passado ela molhou um travesseiro e ficou pressionando contra a minha cara enquanto eu dormia. Eu só sobrevivi porque meu cachorro foi em cima dela.
Não havia muito o que fazer, ali estava uma confissão e com seus motivos. Seria um julgamento simples e rápido mais pra frente. Todos saíram da sala e Nathaly ficou a sós com Verônica. Seus olhos secavam lentamente, mas vez ou outra uma lágrima insistia em cair, assim como sua pergunta pairou no ar:
— Senhora Verônica, será que o monstro agora sou eu?
A detetive olhou para a garota que parecia deplorável naquele momento. Não sentia empatia o suficiente para lhe levar palavras de conforto, mesmo assim algo passava em sua mente como resposta:
— Monstros não existem.
A menina a ficou encarando até finalizar com uma pergunta que coincidia com o último encontro das duas:
— Até quando eu não me arrependo de nada? Suas feições mudaram em um instante, parecendo bastante alegres.
Uma outra policial entrou na sala pedindo para que Nathaly a seguisse e foi obedecida. A menor saiu deixando uma dúvida, mas, definitivamente, essa história agora ia ser de algum juiz. Talvez se ela tivesse um bom advogado pegasse uma medida socioeducativa branda ou alegasse problemas mentais. Havia um milhão de coisas a serem feitas.
— O que você acha que vai acontecer agora? Luiz perguntou após encontrar Verônica em outro local.
— Tudo como qualquer caso. Ela vai ser julgada e presa.
— Não está curiosa em saber sobre os anos totais?
— Não, mas… se você achar qualquer coisa esquisita pode me chamar.
ALUNOS-AUTORES:
Alice Fonceca da Silva
Guilherme dos Santos Miranda
Linderson Antunes
Luane Cuimar da Silva
Nicolas Soares da Silva
EDITORA:
Larissa Mustafe da Costa Ribeiro
Numa noite chuvosa em Belém, nove criminosos resolveram colocar em prática um grande plano de roubo a uma joalheria. Eles se dividiram em grupos, sendo que cada um tinha uma tarefa diferente. Dois deles se encarregaram de fechar algumas ruas, outros de entrar na joalheria, e alguns esconderam equipamentos dentro de caminhões.
A joalheria se chamava Pandora. Um dos criminosos era responsável por entrar no local e pegar as joias que estavam guardadas. Enquanto isso, dois comparsas provocariam um pequeno incêndio a algumas esquinas para distrair a polícia, e os outros dariam apoio para a fuga.
No começo, tudo deu certo. As joias foram retiradas e os criminosos começaram a fugir em carros diferentes. Mas uma explosão maior do que o esperado chamou muita atenção, e a polícia começou a fechar várias ruas da cidade.
Durante a fuga, um dos criminosos ficou preso no trânsito e acabou sendo capturado pela polícia. Mesmo sendo interrogado, ele não quis contar quem eram os outros participantes. Então o caso foi entregue ao detetive Ronaldo Sploradovisky, um detetive muito conhecido e que recebia os casos quando ninguém mais conseguia solucioná-los.
A primeira tarefa de Ronaldo foi seguir o protocolo: pediu imagens das câmeras, conversou com testemunhas e com o integrante do roubo que fora preso que, no entanto, se recusava a falar. Logo, ele pensou, deve haver alguma ligação entre eles maior que a profissional, uma gangue talvez. Ronaldo seguia refletindo consigo mesmo, quando a imagem das câmeras chegou até a sua mesa. Ronaldo procurou qualquer marca que comprovasse sua teoria, até que viu, em um dos suspeitos – que parecia ser uma mulher – uma tatuagem na altura do pescoço. Tatuar o pescoço era muito comum entre as gangues de Belém,
Partiu, então, a procurar registros do caminhão, qualquer coisa que pudesse dar indícios de seu paradeiro. Felizmente, conhecia um mecânico de codinome Vírus que tinha um ferro velho na Humaitá com a Pedro Miranda e podia dar informações de qualquer veículo irregular da região metropolitana.
Assim que Vírus o viu, fez uma cara de espanto como se soubesse do problema que estava por vir.
– Detetive Ronaldo, já conseguiram as provas do meu caso?
– Ainda não, Vírus, venho aqui apenas para esclarecer umas dúvidas.
O mecânico, que até então estava concentrado com um motor aberto de sua oficina, deixa o serviço para voltar toda a sua atenção ao detetive que se fazia menos entendido ainda.
– Desmanche? Perguntou Ronaldo
– Não, não, apenas um cliente que pediu para eu retirar o monobloco.
– Monobloco com todas às peças?
– É pra montar depois. – Quais dúvidas são essas que o senhor teve que vir até aqui pra saber? Pergunta o mecânico com um ar de confusão.
– Estou atrás desses dois caminhões, oficialmente quero saber modelo e todo o protocolo que a polícia pede, mas, extraoficialmente quero lhe pedir ajuda da área de roubo de carros.
– Ah Ronaldo, eu já disse que sou inocente e você não tem provas contra mim. Mas esses caminhões… nunca vi um desses, parece um tipo de caminhão de assalto, mas me parece mais um sprinter com modificações.
– Vá a um desmonte Cielo em Marituba, se for roubado ou não, por lá devem ter mais informações.
-Mas Ronaldo, extraoficialmente, não fui eu quem disse.
-Certo Vírus, posso precisar das suas informações nessa investigação. Até mais.
Ronaldo, após um dia de investigação, costumava correr e ir para casa depois. Passou um pouco da noite revisando os vídeos da câmera para tentar enxergar algum significado na tatuagem. Sem perspectivas, foi dormir.
No dia seguinte, ao chegar em seu departamento, levou uma surpresa. Havia uma inquietação pela parte de todos, e logo, policial disse.
– Ronaldo, houve um assassinato por volta das 4:40 da manhã.
– já estou em um caso. Respondeu.
– Eu sei, senhor, é que pode ter relação com o seu caso.
– É uma mulher?
– Sim.
– Tem uma tatuagem mais ou menos perto do pescoço?
– Sim.
– Mande ao médico legista, quero o resultado da causa da morte até hoje a noite. Arrume dois policiais para irem comigo até Marituba, com urgência.
– Ela já foi encaminhada.
-Então venha comigo até o IML, vamos ver o que dr. Marvão tem a dizer.
O deslocamento do centro até o mangueirão, embora tranquilo por esta hora de horário de pico, ainda demorou, e não houve conversa. O detetive apenas olhava as ruas e tentava encaixar as peças do caso.
Chegando no Instituto Médico Legal, Ronaldo cumprimentou seu amigo, o dr. Marvão, e pediu para ver o corpo.
– Aqui está Ronaldo, essas marcas no pescoço sugerem que ela foi asfixiada por alguma corrente de metal, e o laudo confirma que ela morreu por asfixia. Não há nenhum ferimento pelo resto do corpo, nem DNA de outra pessoa, no entanto, a mão direita está suja com um pouco de óleo de motor. Ela se chama Nadara Santos é não é daqui, é originária do…
– Maranhão, completou Ronaldo.
– Isso, como soube?
– A tatuagem. É um monógrafo de um P e um K, é uma gangue do Maranhão especializada em tráfico e venda de carros roubados, já os investiguei.
– Agradeço as informações dr., gostaria que enviasse o relatório até hoje. Preciso ir.
– Beleza, vamos marcar algo, qualquer dia.
– lhe retorno.
Ronaldo já seguia para o desmanche com um pensamento mais profundo. ao mesmo tempo em que o caso parecia estar se desenrolando, ficava mais difícil enxergar o caso completo, como cada peça se encaixa na outra.
Não obtiveram sucesso no desmanche, ninguém foi atendê-los. Parecia mais um dia de investigação que tinha passado sem resolver. Quando, no almoço, Ronaldo questionou seu parceiro, o porquê do Vírus citar logo o desmanche Cielo, tão longe, e que era o único que saía do alvo de investigação de roubos
– Vamos. Disse Ronaldo.
– Pra onde, senhor?
– Eu sei onde está os caminhões.
Após o almoço, os dois foram ao tribunal pedir duas ordens judiciais para os dois desmanches – o Cielo e o do mecânico Vírus. Próximo da noite, uma equipe encontrou o veículo no desmanche Cielo. No interrogatório, Ronaldo, como se já soubesse de tudo, perguntou ao dono Rosimiro.
– Esse veículo, por um acaso, chegou ontem na sua propriedade?
– Sim?
– Sabe quem levou?
– O Caverna, um dos meus moleques que pegam carros e trazem pro desmanche.
-Trrazem que dizer roubar?
– Não, trazem carros abandonados.
– Mas esse não aparentava abandonado.
– Eu também achei, mas ia ser dinheiro com a revenda de qualquer jeito.
– O senhor conhece o dono do desmanche Sol da pedreira?
– Sim, o Vírus.
– Qual sua relação com ele?
– Velhos amigos,
– Mas o seu amigo me pediu pra ir no seu desmanche pedir informações sobre esse caminhão um dia antes dele ter sido levado pra sua propriedade.
– Ele fez isso? Olha não queria me prejudicar…
– Não vai.
– Certo. É que nos conhecemos há tempos e ele tinha um esquema de roubo e venda de carros por Goiás, Tocantins, Maranhão e Piauí. Ele me pediu pra fazer uns serviços.
– Que serviços?
– Apenas desmontar os carros que não serviam para vendas, mas quando soube a procedência, larguei e denunciei. Foi quando ele e eu viemos a Belém.
Já ia tarde quando a conversa acabou, mas Ronaldo com pressa de solucionar o caso e para não perder a segunda ordem judicial, pediu aos policiais que pegassem o mecânico em uma emboscada, anunciou a morte da líder para o outro membro de gangue e negociou com ele caso colaborasse com a investigação.
Os dois foram ao desmanche como se fossem pedir mais informações, mas dessa vez Ronaldo levou o membro preso, que agora se identificava como Marcelo. Pelo olhar de susto do reconhecimento quando Vírus viu Marcelo, Ronaldo ordenou a entrada da equipe. E após sessões de interrogatório, Vírus cedeu, ele estava por trás do grande roubo à joalheria e da morte de Nandara, quando soube que o roubo havia dado errado. Uma investigação delicada que quase levou Ronaldo ao limite acabou por resolver questões de anos.
ALUNOS-AUTORES:
Kaleb Martins Dutra
Pedro Guimarães Pereira
Miguel Carlos Chaves Rodrigues
EDITOR:
Gabriel Oliveira Galate
No dia 12/05/2022, em Belém, fazia uma manhã perfeita, eu e minha família nos dirigíamos ao aeroporto. Porém, no trajeto, a intensa chuva das quatro horas quebrou telhados e derrubou árvores. Essa mudança repentina do clima carregou a atmosfera com um ar sombrio que poderia facilmente ser lido como um aviso dos estranhos acontecimentos que estavam por vir. Mesmo assim, despachamos as malas, passamos pelo check-in e entramos no avião, debaixo de um clima cortante, mergulhamos na escuridão.
No aeroporto de Salvador, fomos buscar nossas malas na esteira. Assim que peguei a minha, algo me incomodou imediatamente: o peso. Aquilo não parecia certo. Coloquei a mala no chão e, tomada pela ansiedade, abri o zíper com pressa.
O que vi me fez perder o ar.
Dentro da mala havia restos humanos: o corpo de uma criança. O choque foi tão grande que soltei um grito que ecoou pelo saguão e chamou a atenção de todos. Fiquei paralisada, incapaz de reagir. Em poucos minutos, a polícia chegou, isolou a área e começou a fazer perguntas para as quais eu não tinha respostas, fazendo grandes pontos de interrogação se chocarem na minha cabeça.
A mala trazia uma etiqueta com um nome que eu nunca tinha visto. Pelas condições do corpo, parecia que a morte havia ocorrido dias antes. As autoridades passaram a analisar as câmeras de segurança do aeroporto, tentando identificar quem havia despachado aquela bagagem. Minha família estava em desespero, tentando entender como algo tão terrível podia ter acontecido conosco.
Nos dias seguintes, a investigação revelou que a criança era filha de um traficante de crianças que vinha sendo caçado pela polícia há meses. A mala havia sido usada na tentativa de transportar o corpo sem levantar suspeitas. Sem querer, eu havia me envolvido em um caso muito maior e mais sombrio do que poderia imaginar.
Fui tratada com extrema cautela pela polícia. Eu era a principal testemunha e a pessoa que, acidentalmente, havia descoberto o crime. Fui levada à delegacia para prestar um depoimento detalhado, enquanto meus pais tentavam me acalmar.
O detetive responsável pelo caso se chamava Ronaldo Exploradovisky. Era um homem baixo, fluente em mais de cinco idiomas, embora às vezes misturasse os sotaques. No braço, carregava uma tatuagem de ampulheta. Durante o interrogatório, ele me mostrou fotos de uma creche luxuosa localizada em uma cidade vizinha. A principal teoria era de que o traficante, desesperado, havia tentado despachar o corpo em meio à confusão do aeroporto — possivelmente porque a criança, sua própria filha, vinha sendo usada para transportar drogas.
– Porque eu observo. Respondeu ele, com a voz calma. – E porque sempre sobra algo depois.
Ronaldo empurrou uma foto sobre a mesa: o pingente prateado em forma de peixe. – – – Esse detalhe te entregou.
Corvo inclinou a cabeça, curioso.
– Engraçado… tantos crimes, tantas rotas… e cai por causa de um enfeite barato.
– Não. Corrigiu Ronaldo. – Caiu porque subestimou o desespero. A mala era pra desaparecer. Mas você contou com o caos errado.
Corvo deu uma risada seca.
– A criança morreu porque sabia demais. Já estava sendo usada como transporte. Quando ficou doente, virou risco. Eu só limpei o problema. Ronaldo sentiu o peso daquelas palavras, mas manteve a voz firme. – Você não age sozinho. Nunca agiu.
O sorriso de Corvo vacilou por um instante. – Sozinho não se constrói um mercado. Respondeu. – Peixinhos não cruzam oceanos sem ajuda.
Ronaldo se levantou e apagou a luz da sala. O telão atrás dele se acendeu, exibindo mapas, nomes, contas bancárias, fotos de portos, aeroportos e orfanatos em diferentes países.
– Empresas de fachada na Europa Oriental. Creches “beneficentes” na América do Sul. Adoções irregulares na Ásia. Documentos falsos circulando por três continentes. Disse o detetive. – Tudo ligado a você.
O silêncio agora era de Corvo.
– Você usava intermediários. Continuou Ronaldo. – Quadrilhas menores, símbolos diferentes, rotas fragmentadas. Achou que isso te tornaria invisível. Mas cada peixe leva ao mesmo cardume.
Corvo respirou fundo, derrotado pela primeira vez.
– Se eu cair… outros continuam, você não faz ideia do que descobriu, Sherlock. Murmurou.
– Talvez ainda não. Respondeu Ronaldo. – Mas hoje, a sua rede de proteção arrebentou, não existe escapatória.
Corvo nunca chegou ao tribunal, na madrugada anterior à audiência, foi encontrado morto na cela. As câmeras do corredor falharam por exatos quatro minutos. Tempo suficiente. A causa oficial foi registrada como suicídio, mas Ronaldo soube no instante em que leu o relatório: Corvo tinha sido silenciado.
Na sala vazia da delegacia, o detetive observava os arquivos espalhados sobre a mesa. Contas bancárias congeladas, nomes riscados, operações encerradas antes de começar. – A rede internacional existia. Disso ele tinha certeza, mas agora estava ferida, não destruída. Onde Corvo caía, outros assumiriam.
O peixe prateado voltou a aparecer.
Dessa vez, não em uma mala, nem em um zíper — mas gravado discretamente no rodapé de um documento diplomático apreendido às pressas. Um símbolo pequeno demais para ser casual. Grande demais para ser ignorado.
Ronaldo fechou os olhos por um instante.
A ampulheta tatuada em seu braço parecia mais pesada naquela noite. – Eles ainda estão aí… Murmurou para a sala vazia.
Quando me chamou para dar a notícia, sua voz estava diferente. Não cansada — contida.
– Você fez tudo o que podia. Disse ele. – Mas algumas histórias não terminam. Só mudam de forma.
Eu tentei seguir em frente. Voltar à normalidade. Mas toda vez que passava por um aeroporto, sentia o mesmo aperto no peito. O som das malas na esteira nunca mais foi apenas um som. Era um aviso.
Meses depois, recebemos uma carta sem remetente. Dentro, apenas um desenho feito à mão: um peixe prateado.
Nenhuma ameaça. Nenhuma explicação. Só a certeza de que alguém sabia, de que alguém lembrava, de que alguém observava.
Em algum lugar do mundo, crianças ainda eram mercadorias. E a rede…a rede nunca precisou de um único Corvo para sobreviver.
Ronaldo guardou o desenho em sua gaveta, junto com casos que se recusava a esquecer.
Virou a ampulheta imaginária mais uma vez. E continuou.
ALUNOS-AUTORES:
Alana Sofia Silva
Giovanna Bezerra De Castro
Jordão Galo Lamarão
Clara Lia Costa
EDITOR:
Fabrício Cruz Ribeiro
Ronaldo Exploradovisky vai para o garimpo e começa a refazer os últimos passos de Marcos Brás. A primeira coisa que descobre é que Alanzinho estava pilotando o avião quando ele morre. O detetive vai atrás dos destroços que estavam aproximadamente a três horas de avião do local do garimpo. Para isso, organiza uma missão com mais dois integrantes, homens acostumados com a selva e o confronto com as guerrilhas. Saltariam de paraquedas quando encontrassem sinais do avião. Depois de três horas e sete minutos, avistam uma clareira onde parecia haver destroços de um avião, pois a mata ao redor estava toda queimada. Circularam por algum tempo até identificar que era a aeronave de Marcos Brás, saltaram e começaram a investigar. Ao chegar na aeronave toda queimada conseguiram identificar que havia apenas um tripulante que seria o piloto. Nesse momento, os dois que acompanhavam Sploradovisky pensaram que o chefe poderia estar vivo e que haviam encontrado o corpo do piloto. Contudo, Ronaldo Exploradovisky era muito experiente e não foi à toa que o mesmo foi contratado. Com isso ele trazia consigo um analisador de DNA que conseguia realizar um teste a partir de apenas um pedaço de carne não queimada do corpo: tratava-se do corpo de Marcos Brás. Ao retornar ao garimpo, realiza uma pesquisa sobre Alanzinho e descobre o recente assassinato de sua família. Como ele estava liderando o garimpo após a morte de Brás, Ronaldo não tem dúvidas e vai falar com o mesmo. Momento em que descobre que a família foi morta por Marcos Brás, resolvendo, então, deixar o caso por baixo dos panos e encerra o mesmo. Exploradovisky faz isso porque se sente ameaçado, percebe que não seria o momento para o confronto. Na casa tinha vários seguranças, um esquema de proteção inimaginável. Envia, portanto, uma mensagem para a família de Marcos Brás na frente de Alanzinho em que dá o caso por encerrado. Percebe que, mesmo convencido que ele era o real assassino de Brás, resolve não o entregar, pois sabe que, com Alanzinho à frente do garimpo, o mesmo continuará gerando muitos lucros para a família.
Naquele dia acordei muito cedo. Como de costume, tomei meu café e fui para o trabalho. Sempre passo na padaria e furto alguns jornais – utilizo para fazer as frações de droga. A rua, sempre movimentada, pois nesse horário a periferia é muito agitada, os operários, as domésticas, todas as pessoas que trabalham no centro, na área nobre da cidade – onde pessoas iguais a mim não são bem-vindas – mesmo que meus clientes na maioria sejam playboys que lá moram. Minha primeira tarefa é fazer as frações de drogas, utilizo os jornais furtados para isso, deixando sempre para o final a página policial, em que olho as fotos atentamente para ver se tem alguém do crime que eu conheço. Nos últimos dias, meu pensamento estava em arranjar uma maneira de ganhar mais dinheiro, viver trabalhando na biqueira não faria conseguir dinheiro suficiente para o tratamento de minha mãe, que estava com câncer.
Terminei de fazer as frações e fui assumir meu turno na biqueira. O moleque que troquei turno comentou sobre a recompensa para quem capturasse Marcos Brás, grande traficante internacional, o qual também era responsável por toda a droga da cidade.
– Salve mano Alanzinho!
– Qual é muleke?
-Vistes o jornal de hoje? A página policial.
-E ai pelota!
– Como foi o turno?
– Por que perguntas?
– Pô Alanzinho! Sei que olhas sempre a página policial, hoje tinha a foto e a recompensa para o chefe de todos aqui que vivem do tráfico e, pelo que entendi, de outras coisas fora da lei. Estão oferecendo a maior grana para quem capturar Marcos Brás: são mais de duzentos e cinquenta mil reais de recompensa, muito dinheiro. A partir desse dia, Alanzinho Maniçoba decidiu mudar de vida e de destino: resolveu sair da periferia de Belém e ir atrás de Marcos Brás. Alanzinho começou a procurar informações sobre Marcos Brás, descobriu que ele estava em algum garimpo no interior da floresta amazônica.
Alan de Souza Moraes, mais conhecido como Alanzinho Maniçoba. Garoto paraense que passava necessidade. Jovem preto, Alan ganhou esse apelido por ser preto e feio que nem maniçoba, sem falar que amava essa comida. Sua mãe sofria com um grave câncer, Alanzinho perdeu o emprego e sua família não tinha dinheiro, então ele foi para o tráfico. Como pobre, vira traficante para ajudar a família. Alanzinho começa como aviãozinho, transportando droga apenas pelas favelas de Belém, mas ele decide mudar para um trabalho em que ganhasse mais, então ele vai para o garimpo.
Chegando nesse garimpo, depois de oito horas caminhado em meio à floresta e após dias em um barco, foi levado direto para o contratante dono do garimpo, que para sua surpresa era Marcos Brás, um traficante colombiano muito poderoso. Ele era uma pessoa gorda e careca, fumava o dia todo e, atualmente, mora na Colômbia, na cidade de Medelin, foragido da Interpol e com uma recompensa de 5.000 dólares pela sua captura.
No garimpo, ele começou a querer pilotar avião. Alanzinho também passou a se aproximar Marcos Brás, pedindo para pilotar e para que os pilotos do garimpo o ensinassem a pilotar alguns tipos de aviões, o que, de fato, ocorreu. Quando Marcos Brás volta ao garimpo para um acerto de contas e seu piloto tem um mau súbito, Alanzinho se oferece para pilotar. Até aquele momento, trabalhava como intermediário na venda de ouro.
Comenta Alanzinho:
– O que aconteceu com o avião? Por que vocês estão aqui ainda?
Marcos Brás responde:
– Meu piloto teve um mau súbito e não posso decolar, pois não tenho outro piloto.
– Eu sei pilotar. Disse Alanzinho.
Marcos Brás ficou curioso como um jovem tinha tantas habilidades e pergunta a Alanzinho:
– Por que um menino tão jovem vem parar em um garimpo?
– Para conseguir dinheiro para o tratamento de câncer de sua mãe, respondeu Alanzinho.
– Tu me queres como seu piloto? Pergunta Alanzinho.
Marcos Brás responde:
– Aceito.
Os dois vão para o Colômbia.
Brás suspeita que Alanzinho quer matá-lo por causa da recompensa e assassina toda a família de Alanzinho. Por vingança, Alanzinho mata o Brás. Arquiteta a queda do avião em uma de suas viagens.
Marcos Brás afirma que é hora de abastecer o avião. Havia cinquenta quilos de ouro nessa aeronave. Não foi Brás que disse isso para Alanzinho, mas o rapaz que foi chamá-lo. Alanzinho, então, planejou a morte de Marcos Brás, injetando uma droga na bebida que seria servida para ele, sendo que depois pensaria em como executá-lo.
O avião decola por volta das onze da manhã, ainda não chovia, depois de duas horas de voo por cima da floresta, Marcos Brás solicita a Alanzinho para colocar no piloto automático e servir a sua bebida. Foi o que fez Alanzinho, que depois disso voltou pra sua posição de piloto, aguardou quinze minutos até que a droga fizesse efeito, colocou o avião novamente no piloto automático – sabia que em cinco minutos estaria no ponto do rio onde havia marcado com o barqueiro que o resgataria, utilizou um paraquedas e saltou, deixando o avião por conta do destino, talvez por sorte ainda voaria por uns quarenta minutos e cair no meio da floresta. Ele sabia que os galões de combustível que estavam dentro do avião seriam suficientes para queimar toda a aeronave.
Após a morte de Marcos Brás Alanzinho assume o cargo de Brás. Depois de algum tempo, a família do ex-dono do garimpo, sem ter notícias dele e nem da carga valiosa que ele transportava, resolveu contratar Ronaldo Exploradovisky.
Ronaldo Exploradovisky é um detetive. Ele é canhoto e quando tem que pensar muito fica nervoso. É uma pessoa ansiosa e baixa. Fluente em vários idiomas, frio e calculista, sabe, também, artes marciais. Já investigou caso em outros países e é um grande espião da Rússia. Punk, tem o físico atlético e calça quarenta e dois. Ele usa um sobretudo, é ex-militar e tem olhos verdes. Ele também tem a pela clara e é uma pessoa fria. Não tem um olho, usa tapa olho, no olho esquerdo. Tem uma tatuagem. Mora na França. Tem quarenta e oito anos e uma barba falhada. Por ser muito ansioso, rói as unhas. Guarda foto dos criminosos, sendo que um de seus preso se tornou um troféu. Ele já foi médico na guerra. Ele tem memória fotográfica, mas também toma remédios para amnésia. Gosta de correr e caminhar.
Ronaldo Exploradovisky vai para o garimpo e começa a refazer os últimos passos de Marcos Brás. A primeira coisa que descobre é que Alanzinho estava pilotando o avião quando ele morre. O detetive vai atrás dos destroços que estavam aproximadamente a três horas de avião do local do garimpo.
Para isso, organiza uma missão com mais dois integrantes, homens acostumados com a selva e o confronto com as guerrilhas. Saltariam de paraquedas quando encontrassem sinais do avião. Depois de três horas e sete minutos, avistam uma clareira onde parecia haver destroços de um avião, pois a mata ao redor estava toda queimada. Circularam por algum tempo até identificar que era a aeronave de Marcos Brás, saltaram e começaram a investigar.
Ao chegar na aeronave toda queimada conseguiram identificar que havia apenas um tripulante que seria o piloto. Nesse momento, os dois que acompanhavam Sploradovisky pensaram que o chefe poderia estar vivo e que haviam encontrado o corpo do piloto. Contudo, Ronaldo Exploradovisky era muito experiente e não foi à toa que o mesmo foi contratado. Com isso ele trazia consigo um analisador de DNA que conseguia realizar um teste a partir de apenas um pedaço de carne não queimada do corpo: tratava-se do corpo de Marcos Brás.
Ao retornar ao garimpo, realiza uma pesquisa sobre Alanzinho e descobre o recente assassinato de sua família. Como ele estava liderando o garimpo após a morte de Brás, Ronaldo não tem dúvidas e vai falar com o mesmo. Momento em que descobre que a família foi morta por Marcos Brás, resolvendo, então, deixar o caso por baixo dos panos e encerra o mesmo. Exploradovisky faz isso porque se sente ameaçado, percebe que não seria o momento para o confronto. Na casa tinha vários seguranças, um esquema de proteção inimaginável.
Envia, portanto, uma mensagem para a família de Marcos Brás na frente de Alanzinho em que dá o caso por encerrado. Percebe que, mesmo convencido que ele era o real assassino de Brás, resolve não o entregar, pois sabe que, com Alanzinho à frente do garimpo, o mesmo continuará gerando muitos lucros para a família.
ALUNOS-AUTORES:
José Victor Albuquerque Deniz
Enzo de Araujo Monteiro
Isnaid Dias Magno
Murilo Moraes Lobo do Couto
Diego Henry Alves Carvalho
Kacio Victor Conceição Almeida
EDITOR:
Luis Teobaldo Rodrigues Machado